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Entre os anos 50 e 60, o patologista alemão Hans Heinrich Reckeweg introduziu um novo conceito para explicar o aparecimento das doenças, onde vários fatores e não um somente, atuariam sinergicamente sobre o ser humano. Até então, e mesmo hoje, prevalecia uma visão linear derivada do pensamento newtoniano, na qual um determinado fator causal desencadearia uma desordem patológica. Por exemplo, uma bactéria desencadeando uma infecção, ou um defeito genético desencadeando doença. Segundo esse pensamento, para tratar a infecção, só é preciso matar a bactéria; para corrigir a doença genética, é só corrigir o defeito no DNA. Até certo ponto essa forma de encarar a doença tem seus resultados, mas o problema é que ela esquece um fator muito importante: o ser humano onde a doença se desenvolve e o ambiente ao qual este está submetido.

Desde o século XV, com o pensamento mecanicista de Descartes, se passou a ver o ser humano como uma máquina, e foi se perdendo a visão de totalidade proposta pelo pai da medicina, Hipócrates. Evoluiu-se para uma visão fragmentada do corpo humano, que não mais passava do que um conjunto de órgãos, células, moléculas, receptores, genes….

Essa foi a armadilha em que caiu a “ciência” médica, onde se perdeu a visão da totalidade integral, que é fundamental para se estabelecer a proposta de tratamento mais adequada para um indivíduo em particular.

A teoria de Reckeweg trouxe uma explicação de como o corpo funciona na normalidade e na enfermidade. Definiu que o ser humano está exposto a uma série de substâncias tóxicas – as homotoxinas, que são a causa das enfermidades. Esse termo – homotoxina (homo = homem) define todas as substâncias que são tóxicas para o homem. É importante lembrar que as substâncias não são tóxicas da mesma forma para todas as espécies viventes; é possível que o que é tóxico para uma espécie, não seja para outra, ou os graus sejam diferentes. Por isso a etimologia da palavra Homotoxicologia, seria o estudo da toxicidade e seus efeitos nos seres humanos.

Tipos de substâncias homotóxicas:

Reckeweg definiu dois tipos de substâncias homotóxicas:

- Homotoxinas exógenas: Aquelas que vieram de fora do organismo do paciente; geralmente provenientes da contaminação ambiental, alimentação, fármacos, drogas ilegais, etc.

- Homotoxinas endógenas: As produzidas dentro do organismo como parte do metabolismo normal ou anormal: bilirrubina, histamina, colesterol, etc.

Homotoxicologia e a enfermidade:

A forma como Reckeweg concebeu a enfermidade, indubitavelmente se encontra em total acordo com a realidade funcional do organismo humano. Segundo ele, num primeiro momento o organismo consegue metabolizar e excretar as homotoxinas, mantendo-se saudável. Quando os mecanismos de limpeza começam a não ser mais suficientes, surge a doença. O acúmulo de homotoxinas nos diversos tecidos e órgãos de forma diferenciada define os sintomas do paciente.

Na primeira fase da doença o organismo consegue excretar as homotoxinas, quer seja aumentando a capacidade de excreção, por meio de diarréia, poliúria (aumento da urina) ou aumento da sudorese.

Numa segunda fase o organismo lança mão da inflamação, onde as células de defesa do organismo (neutrófilos e macrófagos, principalmente) promovem a remoção das homotoxinas.

Quando esses dois mecanismos são insuficientes, as homotoxinas são depositadas e neutralizadas na matriz extracelular. Nessa fase as homotoxinas estão a espera de que o organismo possa eliminá-las. Os aumentos amigdalianos, miomas e os adenomas de próstata são exemplos dessa fase.

Quando as homotoxinas persistem por muito tempo na matriz extracelular, estas sofrem um processo de polimerização, dificultando sua excreção. Nessa fase ocorre prejuízo da função da matriz extra-celular causando perda da nutrição das células. O diabetes é um exemplo dessa fase.

Na fase cinco (degeneração), as homotoxinas lesam as células, causando alterações bioquímicas, enzimáticas e estruturais. Exemplos dessa fase são as artrites crônicas, lupus, doenças degenerativas.

Na fase seis (desdiferenciação), as toxinas alcançam o núcleo das células. Se altera a ordem genética e começam os processos de câncer.

O importante da visão da Homotoxicologia de Reckeweg é a concepção dinâmica, que dizer, não se encara as doenças como processos isolados, localizados em órgãos específicos e tratados como situações isoladas. Dessa forma, as doenças são manejadas segundo a fase em que se expressam.

As fases de excreção e inflamação não se devem suprimir com os remédios “anti” (p. ex. anti-diarréicos, anti-inflamatórios, etc). Deve-se sim modular os processos, controlá-los, não suprimi-los. Deve-se permitir ambas as fases cumpram sua função biológica, mas regulando-as para que não ocorra qualquer desequilíbrio.

Nas fases de deposição e impregnação, deve-se estimular os mecanismos do corpo para a eliminação das homotoxinas, como já propunha Hipócrates há 2800 anos atrás. Deve-se evitar de todas as formas a evolução para as fases celulares (degeneração e desdiferenciação).

Nas fases celulares estamos diante de lesões bioquímicas e estruturais muitas vezes irreversíveis. Por isso nossa ação terapêutica é dar suporte estrutural, funcional e metabólico, permitindo ao corpo manter-se em equilíbrio, permitindo a vida com a melhor qualidade possível.

O médico com visão homotoxicológica, mediante uma história clínica muito bem feita, busca todos os fatores homotóxicos individuais do paciente, para estabelecer um tratamento integral. Fundamentalmente com mudanças no estilo de vida para cortar o ingresso de toxinas e farmacologicamente através da administração dos remédios antihomotóxicos, os quais basicamente, estimulam a resposta imunitária do paciente, recuperando a capacidade do corpo para neutralizar e eliminar as toxinas.