asma
Asma é uma doença respiratória caracterizada por inflamação e obstrução das vias aéreas, levando à falta de ar, sibilos (“chiado”), opressão torácica e tosse. Entretanto, alguns indivíduos podem não apresentar sintomas.
Os sintomas podem ser diários, semanais ou acontecerem menos frequentemente, podendo variar de leves a graves, inclusive com ameaça à vida.
A asma brônquica está entre as doenças crônicas mais prevalentes mundialmente. Apesar do avanço do conhecimento científico na fisiopatologia do mecanismo inflamatório da asma e de várias diretrizes padronizadas, a asma permanece associada à alta morbidade e mortalidade, além de custos econômicos significativos.
Essa doença pode ser diagnosticada pela espirometria, exame que avalia a função pulmonar e a resposta à medicação broncodilatadora.
O tratamento envolve o alívio rápido dos sintomas durante a crise e o tratamento de manutenção da asma, que visa o controle da doença e a prevenção das crises. O não tratamento da asma leva a alterações da estrutura da parede brônquica que podem tornar-se irreversíveis, levando à redução da função pulmonar e limitações para as atividades da vida diária. O tratamento adequado da asma tem como objetivo reduzir a necessidade do uso de medicações de resgate (alívio da crise) sendo o ideal, seu uso limitado a, no máximo, duas vezes por semana.
Para pacientes com asma grave ou que apresentam crises frequentes, deve-se traçar um plano de ação na asma, com orientações a cerca de que medicamentos fazer uso para o controle da doença, aqueles utilizados em vigência de crise, como identificar a crise e em que situações devem-se procurar atendimento médico de emergência. Estes pacientes podem necessitar de monitoramento de sua função pulmonar através do “peak flow”, instrumento que avalia o pico de fluxo expiratório, para determinar alterações da estratégia medicamentosa ou avaliar a gravidade de um episódio de broncoespasmo.
Existem substâncias ou situações que podem levar a crises asmáticas em pacientes com a doença e que, portanto, a exposição a elas deve ser evitada. Os principais agentes são o mofo, a poeira, pólen, algumas plantas e flores, produtos de limpeza, perfumes, poluição ambiental, pelos de animais, células do tegumento de cães e gatos, ácaros, a fumaça do cigarro, as infecções respiratórias, as emoções fortes, as mudanças climáticas, ar frio ou seco, alguns medicamentos como aspirina, estresse e exercício. O exercício físico pode ser benéfico para pacientes com asma, porém, para alguns pacientes, pode ser necessário administrar medicação de resgate (alívio) antes do início da atividade física para evitar o broncoespasmo induzido pelo exercício.
Na avaliação dos pacientes com asma, testes cutâneos ou sorológicos para alergia podem ser necessários para identificar os alérgenos aos quais o paciente pode ser suscetível. Uma vez identificados, o contato com eles deve ser evitado ao máximo.
Como evitar o contato com os alérgenos:
§Evitar infecções respiratórias, lavando a mão com frequência, evitando o contato com pessoas com resfriado ou gripe e vacinando-se anualmente para gripe.
§Evitar o contato com poluição ambiental, privilegiando a vida ao ar livre, evitando a inalação de fumaça de cigarro.
§Nos dias de inverno rigoroso, quando o ar encontra-se frio e seco, cobrir o nariz e boca com lenço.
§Evite o uso de produtos de limpeza, especialmente alvejantes.
§Para evitar a proliferação de ácaros, cobrir colchões e travesseiros com proteção antiácaros. Remover almofadas, carpetes, tapetes, bichos de pelúcia e cortinas do ambiente
§Nos ambientes úmidos, propensos à proliferação de fungos, utilizar desumidificadores ambientais, consertar enacanamentos que apresentam vazamentos, limpar todo o mofo encontrado nas paredes e remover carpetes que ficaram molhados.
§Evitar o contato com animais de estimação
§Não acumular lixo ou louça suja, para evitar a proliferação de baratas. Utilizar latas de lixo com tampa.
Medicamentos habitualmente utilizados na asma:
Agonistas beta de rápida ação: São medicamentos de ação rápida utilizados para alívio das crises. Sua ação consiste no relaxamento da musculatura que envolve o brônquio, aliviando o broncoespasmo. Encontram-se disponíveis na forma de aerosol dosimetrado ou em solução para nebulização. Estes medicamentos podem ser utilizados 15 minutos antes da atividade física por pacientes que apresentam asma induzida por exercício. Fenoterol (Berotec®) e salbutamol (Aerolin®) são beta-agonistas disponíveis no Brasil.
Corticóides inalatórios — São utilizados no tratamento de controle da asma, reduzindo a inflamação presente na via aérea, prevenindo os sintomas e as crises. Uma vez reduzindo a inflamação, evita a lesão permanente e irreversível da via aérea que surge na asma sem tratamento, chamada “remodelamento”. Quando utilizados na forma inalatória, os efeitos colaterais são mínimos, situação diferente dos corticosteroides utilizados por via oral, venosa ou intramuscular. Alguns exemplos de corticóides inalatórios largamente utilizados na asma são Budesonida, ciclesonida, fluticasona, mometasona, beclometasona.
Beta agonistas de longa ação – São também consideradas drogas que atuam no controle da asma. Possuem a propriedade de relaxar a musculatura que envolve os brônquios, assim como os beta-agonistas de curta ação, porém seu efeito é mais prolongado, podendo durar entre 8 e 12 horas. Existem vários dispositivos que apresentam a combinação de um agonista beta de longa ação (formoterol, salmeterol, arformoterol) e corticóide inalatório, drogas fundamentais no controle da asma (Symbicort®, Foraseq®, Alenia®, Seretide®).
Inibidores de leucotrienos – Esta classe de medicamentos reduz a inflamação da asma e a produção de muco, porém seu efeito é inferior ao do corticoide inalatório. São exemplos de inibidores de leucotrienos o Montelucast (Singulair®), Zafirlucast e Zileuton.
Corticosteróides sistêmicos – Na presença de crise de asma, os corticosteróides orais podem ser necessários, porém, pelos efeitos colaterais importantes, devem ser utilizados apenas por curto período e suspensos assim que possível. Pacientes com asma muito grave podem necessitar do uso destas drogas por tempo prolongado para controle da sua doença. São exemplos de corticoides sistêmicos a prednisona e a metilprednisolona.
Omalizumabe (Xolair®) — Alguns pacientes com asma moderada a grave possuem níveis elevados de Imunoglobulina E no sangue como fator primordial na origem da inflamação da asma. Esta condição é chamada de asma alérgica. Alguns pacientes podem necessitar do Omalizumab, uma medicação capaz de antagonizar esta imunoglobulina, estando indicada em pacientes que não obtém o controle adequado de sua doença com as medicações comumente utilizadas, especialmente naqueles em que o controle da doença só se atinge com o uso do corticoide por via sistêmica.
Objetivos do tratamento – O controle adequado da asma com medidas não farmacológicas e com o tratamento medicamentoso visa à melhora da qualidade de vida, melhora nos sintomas, mínima ou nenhuma limitação das atividades diárias, aderência ao tratamento, menor taxa de hospitalizações ou visitas ao setor de emergência e redução dos custos do tratamento. Para atingir estes objetivos, o plano de tratamento, o envolvimento do paciente e sua família, a avaliação e consideração das preferências pessoais e o esclarecimento das dúvidas e dos medos do paciente e familiares são pontos primordiais na busca pelo controle total desta patologia.
Colaboração: Dra Adriana Ferreira de Carvalho (CRM 52-58455-4)